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Moda X Trabalho Escravo

01/08/2013

ModaeEscravidao01

Desde cedo, aprendemos e ouvimos em todos os lugares que a abolição da escravatura no Brasil aconteceu lá em 1888, certo? Mais ou menos. A questão é que a vida está longe de ser um conto de fadas. E a moda, não tão glamourosa quanto parece.

Tá certo que a moda é sim atrelada ao capitalismo, que por sua vez, tem como objetivo o consumismo. E sim, como sabemos, o consumismo é uma ferramenta fortíssima de alienação, nos fazendo comprar sem questionar de onde veio e muito menos para onde vai. O pensamento pode até existir, mas passa despercebido na correria do dia a dia, e acaba caindo meio em vão. Afinal, quem se preocupa com isso?

And here we go again! Recentemente uma fiscalização em São Paulo trouxe à tona o envolvimento de uma grife de luxo com o trabalho escravo. E não, não foi nas tradicionais redes de fast fashion, ou nas mais populares, como já havíamos visto antes. Dessa vez, cerca de 28 bolivianos foram encontrados em condições de trabalho análogas à escravidão (leia-se: submissão a condições degradantes, servidão e riscos no ambiente de trabalho). As três oficinas encontradas, confeccionavam roupas para Le Lis Blanc e Bo.Bô. Marcas que eu, você, e muita gente tem no armário.

A ONG Repórter Brasil, que acompanhou a ação e a divulgou (em junho desse ano), descreve o cenário de descuido e improviso encontrado: “a parede é de tijolos aparentes, com reboco improvisado e tábuas tapando as janelas. (…) Há fios de eletricidades puxados de maneira improvisada por todos os lados, alguns perigosamente próximos de pilhas de tecido. Para ficarem mais próximos das máquinas, os lustres pendem do teto amarrados por cordões em que é possível ler “Le Lis Blanc”. Em cômodos próximos, ficam os trabalhadores bolivianos, vivendo em beliches em quartos apertados, alguns com divisórias improvisadas, recebendo por produção e cumprindo jornadas exaustivas.”

A diretoria da grife assumiu a responsabilidade do caso e pagou cerca de 600 mil reais de indenização aos estrangeiros – a maior parte em situação irregular no país. Um exemplo dos valores expostos na rede (absurdos, por sinal) foi de uma calça vendida pela marca por R$ 379,50, e com custo de mão de obra de R$ 2,50 por peça. Preciso dizer alguma coisa?

Quem não se lembra que em 2011 a fiscalização trabalhista flagrou o mesmo caso na produção de peças da Zara e do grupo GEP (detentores das marcas Cori, Luigi Bertolli e Emme)? Pesquisando por aí, vi que tem muita gente contra e muita gente a favor. E sim, pessoas que trabalham com moda.

Me pergunto: marcas não vendem só produtos. Marcas vendem um estilo de vida, não é? E deixar seu nome associado a algo tão cruel e desumano, usando pessoas como objetos, não faz a marca vender esse tipo de “estilo de vida”? Não sei vocês, mas acredito que disseminar a informação é a melhor maneira de acabar com esse tipo de coisa. Parar de comprar não é suficiente. Gerar impacto, sim.

A Organização Internacional do Trabalho, o Instituto Etgos e a ONG Repórter Brasil mantêm uma lista seja do trabalho escravo neste link aqui. Leia, se informe, e faça sua parte.

O blog levanta a bandeira contra!

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3 Comentários leave one →
  1. Paula permalink
    01/08/2013 11:49 AM

    O pior é que tem muita gente é vai achar um absurdo, mas vai continuar comprando essas marcas como se nada fosse… infelizmente.

  2. 01/08/2013 4:07 PM

    Eu acho um absurdo! Ainda mais em marcas caras que poderiam muito bem pagar direitinho e ter um trabalhador qualificado e não escravizar ninguém.
    Espero que sempre tenha fiscalizações para a gente poder saber! Acho que só assim, um dia, isso pode acabar.
    Beijo

  3. 03/08/2013 3:33 AM

    Oi Dani, o tema foi muito bem abordado, parabéns pela iniciativa!

    Beijos

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