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O segundo que antecede o beijo

26/05/2014

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De repente, sem mais nem menos, o mundo parou. Parou a respiração, parou a fala, parou a calma. Já não sei se o que sinto é frio ou hesitação. Meus olhos tentam se desviar mas não conseguem – se fixam no seu sorriso sedutor. Com esses seus lábios de quem já descobriu o mundo e de quem sabe o que fala.

Mordo os lábios. Não de um jeito provocante ou sedutor. Estúpido até. De nervoso. De não saber o que esperar e, ao mesmo tempo, esperar que você saiba. Porque você sabe. Você sempre sabe de tudo… E, como num gesto impulsivo, quase involuntário, apoio a mão no seu rosto. E você fecha os olhos, de maneira tão sutil que quase nem percebo. Estou vidrada acompanhando cada movimento minúsculo dos seus traços. E instantaneamente sinto uma onda de arrepio tomando conta de mim, com a sua proximidade. E sinto sua mão na minha. Que a segura, levemente, da forma mais delicada que alguém já o fez. Você é simples, é sutil…

E dessa forma me sinto interrompida. Atravessada. Meu coração passa por uma disritmia que congela o cérebro – já não penso mais em nada. Bate aquela sensação estranha na barriga. Borboletas no estômago, deve ser isso o que dizem por aí. Sinto instantaneamente o rubor das minhas bochechas. Você simplesmente me olha tão profundo que tenho medo que você consiga cair pra dentro de mim. Como se congelasse o tempo. E aposto comigo mesma que você consegue sentir toda a minha vulnerabilidade de quem não sabe o que fazer, e você gosta. Ah, se gosta…

E acontece. Me sinto nua, sem pele. Sem segunda pele ou proteção. Peito rasgado. Exposto. Fragilizada pela falta de argumentos quando você encosta a barba mal feita no espaço entre o meu ombro e o meu pescoço. Você simplesmente me dissipa de barreiras e desculpas. Você me segura. Me dá segurança. E cai pra dentro de mim, mesmo com os olhos fechados. Você me atravessa e eu nem ligo se as pessoas à volta ficam constrangidas ou não – aliás, nem sei mais onde estou. A sua gentileza foi não ter esperado demais. E não consigo, ao final, descrever bem o seu gosto ou o que pensei na hora. Simplesmente não pensei em nada. Você já me levou faz tempo…

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