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Pelo direito de fechar a porta

02/06/2014

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Ruidosamente me olham de lado e reprovam minha opção escolhida de permanecer em silêncio. É como se tivesse algo de errado em se recolher por um momento ou por um tempo maior. É como se não percebessem que toda essa exposição ao cotidiano me faz mal de alguma forma, e eu preciso – há quem precise – me envolver um pouco mais comigo mesma para não me perder.

E é tudo culpa dos medos. Medo de deixar passar o tempo e não me ver nele. De olhar muito pra frente, muito pra trás, ou muito pra qualquer outra direção. E no meio disso tudo acabar esquecendo do básico: de olhar pra mim mesma. Tenho um grande receio de me perder ao ponto de não saber mais se meus olhos ainda brilham por alguma coisa apaixonante.Meu receio é de que eu esteja postergando meus sonhos – aqueles elementos do imaginário que são associados diretamente a nossa felicidade – e colocando ações tão sem sentimento no lugar deles. A gente se esconde atrás das obrigações do dia a dia e as utiliza como desculpa para o depois. E é por isso, exatamente por isso, que eu preciso daquele momento a sós comigo mesma pra ser franca, pra botar na mesa (ou na cama) alguns pontos em que andei pensando, alguns devaneios que martelam na minha cabeça 24 horas por dia. Coisa de quem pensa demais…

Preciso dormir além da conta, ouvir uma boa música ou escrever num canto mais escuro – tudo isso pra me aproveitar um pouco mais, pra dar voz aos ruídos que passam despercebidos no caos do cotidiano. Já imaginou se toda dúvida ou reflexão que atinge o fundo da nossa cabeça fosse silenciada?O problema é que não percebem, eles, que a calma e a solidão são deliciosas juntas. Que eu dependo (e muito) de uma tarde sem fala para promover algo de bom dentro de mim. Simplesmente não consigo confiar em gente que sorri o tempo todo. Gente efusiva. Sorrisos demais, palavras demais. É preciso mostrar a vulnerabilidade, mesmo que seja em doses homeopáticas de silêncio.

Fechar a porta é o mesmo que conversar consigo mesma. Sem necessidade de etiqueta ou roupas bonitas. Às vezes não tem motivo algum e nós duas (eu e eu mesma) só queremos respirar a sós. Tomar um bom vinho, ouvir uma boa música, sorrir sem motivo algum. Apreciar a própria companhia. Pra reparar, de tempos em tempos, nas cicatrizes deixadas pela vida. Pra perceber que uma noite de sono ajuda, e que dormir sozinha às vezes é muito melhor. Aliás, estar sozinho não é estar perdido no mundo – é, na verdade, a melhor forma de se encontrar quando esquecemos quem somos. E aí, só depois que aprendemos isso, é que somos capazes de compartilhar o nosso silêncio com alguém.

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One Comment leave one →
  1. 05/06/2014 3:59 PM

    Adorei o texto Dani!! Concordo plenamente com você!!
    Necessito e muito de pequenos momentos de silêncio para me ouvir um pouco.
    Grata pelas tuas palavras, Ana

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