Skip to content

Natureza Morta, por Paulo José Miranda

22/06/2015

0002

Terminei de ler recentemente o livro Natureza Morta, ganhador do prêmio literário José Saramago, em 1999, e escrito pelo meu amigo Paulo José Miranda. O livro conta a história do grande pianista e compositor português, João Domingos Bomtempo (1771 – 1842), que “recorda aos dez anos ter pela primeira vez conseguido tocar a “Arte da Fuga” de Bach, aos vinte ter substituído o pai como primeiro oboísta da Real Câmara, e aos vinte e nove ter assistido à primeira execução do “Requiem”, de Mozart, em Paris. E esses foram os seus momentos de vitória: dominar uma linguagem, igualar o pai, compreender um gênio” (pág. 12).

É uma obra lindíssima que aborda a vida, a morte, a solidão e todos os sentimentos humanos. Separei abaixo algumas das minhas frases favoritas (que fui marcando no decorrer da leitura):

“Nenhuma obra vale o que quer que seja, se for escrita confinada a uma inteligência, a uma sensibilidade. No fundo, não se pode confinar a arte à técnica, à arrogância do homem. A arte é precisamente o contrário: a superação de qualquer saber fazer. Superação porque se minimiza tudo o que se aprendeu. Supera-se porque se esquece. Esqueci-me de mim, da música e toquei a essência do mistério”.

“Porque não se pode compor verdadeiramente senão para além de si próprio, para além do que se sabe, para além do que se quer”.

“Ainda que possamos saber que a nossa vida pode correr muito pior do que corre, sofre-se mais do que se sofre, perante um momento de prazer esquecemos toda e qualquer possibilidade de desventura”.

“(…) Já se habituara a perder pessoas, a saber que não podemos contar com que elas permaneçam conforme à nossa vontade”.

“A paixão por uma mulher pode destruir por completo a lucidez de um homem”.

“Compõe-se música para não gritar. Estuda-se para não pensar. Aplaude-se para não chorar”.

“Como é que se pode pôr coragem numa vontade, carinho num coração, sabedoria numa existência?”

“O medo de compreender que não compreende nada”.

“Mas é precisamente o medo que causa os maiores disparates, cria discursos absurdos, vozes inócuas”.

“Sinto que gosto cada vez menos de mim mesmo. Este peso enorme de ser homem, esta tristeza de não poder ser somente música”.

Anúncios
No comments yet

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s

%d blogueiros gostam disto: