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A Lisboa de Eça de Queirós

08/06/2015

eçadequeiroz

Texto publicado no Brasil Post no dia 04/06

Tenho que confessar que sou uma aficionada por escritores portugueses. E tenho algumas obras que, de tão favoritas, já se tornaram parte da minha história (como se tivesse, de fato, conhecido cada personagem narrado por Eça de Queirós ou discutido sobre o sentido da vida com Fernando Pessoa). E foi quase inevitável, enquanto andava pelas ruas de Lisboa, não pensar no Ramalhete e na Rua de S. Francisco; ou não fantasiar sobre os encontros românticos entre Pessoa e Ofélia Queiroz.

O fato é que, quando falamos de Eça de Queirós, falamos da capital portuguesa. Afinal, ela foi palco de suas obras e, principalmente, sua vida. Até hoje as ruelas lusitanas exibem as marcas deixadas pelo autor. Basta uma rápida visita ao Chiado e, sem grande esforço, é possível descobrir um mundo de memórias antigas – da Lisboa oitocentista, ora vanguardista, ora conservadora à Lisboa de Os Maias e O Primo Basílio. Por isso, hoje trago alguns dos principais pontos turísticos para os fãs do escritor. Descubra a verdadeira Lisboa de Eça de Queirós:

Hotel Central

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É no Cais do Sodré que resta a memória do antigo Hotel Central – o hotel mais referenciado da obra queirosiana. Aqui esteve hospedado o primo Basílio e foi também o cenário para Carlos da Maia ter a primeira visão de Maria Eduarda, em Os Maias. Muitíssimo frequentado por Eça, o local hoje abriga um banco, facilmente encontrado no número 52/54, da Praça Duque da Terceira.

Grêmio Literário

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Na antiga Rua de S. Francisco, palco de grande parte da ação de Os Maias, se encontra a atual Rua Ivens. No primeiro andar do número 31 morou Maria Eduarda. E é também nesta rua, no número 37, que se localiza o famoso Grêmio Literário. Fundado em 1846, ocupa este palacete desde 1875. Eça era um frequentador regular e a mesa onde costumava ler o jornal diário ainda se encontra por lá.

Teatro de São Carlos

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O famoso teatro de São Carlos, local de encontro obrigatório dos personagens de Eça de Queirós (e onde Carlos da Maia mantinha um camarote permanente), foi criado em 1793 e era a sala de espetáculos mais prestigiada de Lisboa. Frequentada pelos reis e a burguesia endinheirada, era o ponto de encontro para ouvir ópera e trocar mundanidades.

Pastelaria Cister

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Era na pastelaria Cister, fundada em 1838, que Eça tomava todos os dias o seu pequeno-almoço. Ela foi remodelada há pouco tempo e hoje abriga um painel de azulejos alusivos ao autor, além de diversos retratos espalhados pelas paredes. Com preços acessíveis e comida caseira, a dica é provar as tostas feitas com pão alentejano e as marmeladas – simplesmente deliciosas. O local fica na Rua Escola Politécnica, número 107.

A Brasileira e Casa Havaneza

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Na famosa Rua Garrett, no Chiado, se situam dois pontos de encontro dos homens da sociedade de então: o café A Brasileira (onde se encontra a famosa estátua de Fernando Pessoa, grande amigo de Eça), e a Casa Havaneza, a melhor tabacaria da capital. Fundada em 1865, ambos os locais eram pontos de intrigas e debates políticos (como descreve Eça em diversos enxertos de suas obras). Vale aproveitar o passeio para visitar a Livraria Bertrand, fundada em 1732 e considerada a livraria mais antiga do mundo. Para quem ama literatura portuguesa, é um verdadeiro deleite.

Café Nicola

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No Rossio (Praça D. Pedro IV), outro palco das obras queirosianas, não se esqueça de visitar o Café Nicola. É justamente neste prédio que se encontra a casa dos pais de Eça, onde o autor viveu grande parte de sua vida. Basta procurar que logo se encontra uma placa alusiva, informando que a casa ficava no 4º andar, no número 26. A praça tem prédios importantes como a Estação do Rossio, o Teatro D. Maria II, a fonte barroca e o pedestal com a estátua de D. Pedro IV. Visita obrigatória.

Restaurante Tavares Rico

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A Rua da Misericórdia abriga um dos restaurantes favoritos de Eça, antigamente chamado de Café Tavares. É famosíssimo na cidade e foi, durante muitos anos, o ponto de encontro dos grandes intelectuais e das figuras mais ilustres. Vale ressaltar a decoração do ambiente, que te transporta de uma forma brutal para o século XIX, destacando-se pela sua beleza digna de palácios europeus. Dica: o vinho do Douro é um dos melhores da cidade.

Hotel As Janelas Verdes

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A uma curta distância do Museu de Arte Nacional, na Rua das Janelas Verdes, situa-se um belíssimo palacete do século XVIII. Trata-se da antiga residência de Eça, hoje um pequeno e elegante hotel boutique, com muitos dos apetrechos de uma velha casa literária: paredes em painéis de madeira, poltronas ornamentais, livros antigos, mapas e objetos de antiquário por toda parte. Há quem afirme que foi este palacete que inspirou o autor a criar o Ramalhete, de Os Maias.

Happy Sunday with AMARO

02/06/2015

Já faz algum tempo que sou cliente e parceira da loja online AMARO (quem acessa o blog há mais tempo já deve ter visto muitos posts por aí). E como a nova coleção de inverno 2015 acabou de ser lançada, recebi algumas peças para mostrar à vocês. Todas lindíssimas e com um acabamento incrível ;)

Essa coleção mostra o interesse em trabalhos manuais e acabamentos artesanais. Além disso, os símbolos trazidos não representam apenas uma nação, mas uma mistura multicultural de identidades indígenas e sua evolução – incluindo a cultura country. Tudo isso em uma releitura moderna, trazendo o tweed, o tricô e as franjas como elementos principais ao inverno 2015.

Quem quiser conhecer um pouquinho mais sobre a coleção, que se chama “Dream Catcher“, basta acessar o site da AMARO onde tem todas as peças, vídeos, inspirações, etc. É bem interessante!

Aproveitei o final de semana de sol para fotografar as peças que ganhei. Quem se interessar, segue o link no final do post. Fiquei apaixonada por essa saia (mais a minha cara impossível). Olhem só:

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Camisa AMARO; Saia AMARO; Bolsa AMARO

Só o amor por outro nos torna humanos

02/06/2015

Precisava compartilhar aqui o primeiro texto do meu amigo Paulo José Miranda para o Brasil Post. Quem quiser acessar o seu novo blog, basta clicar aqui. Segue o belíssimo texto:

PauloJoséMiranda - BrasilPost

O amor sem Deus, segundo Kierkegaard, é um amor vivido com medo. Diria mais, se Kierkegaard não se importar, claro: este amor é a nossa própria experiência da morte. Viver um amor é viver a morte, a possibilidade da morte. Sozinhos somos imortais. Só a queda no amor nos dá a queda na mortalidade.

Só o amor por outro nos torna humanos.

Por conseguinte, e por mais estranho que possa parecer, a verdade é que o medo de o amor acabar não é o medo de morrer, mas o medo de não continuar a morrer, o medo de não sermos mortais. Perder nosso amor é perder a mortalidade, tornarmo-nos imortais. Imortais que não queremos ser. Quem não lembra a imagem daquele que é eterno contra vontade, aquele que é eterno sofrendo pelo infinito dos dias e dos mundos?

Esta eternidade sofrível é a expulsão do amor. Por isso, por não querermos ser expulsos do paraíso, é que temos medo de perder o amor. Temos medo que a amada nos deixe. Temos medo, porque somos mortais. Os dois limites que nunca poderemos ultrapassar, enquanto humanos, é precisamente o medo e o sofrimento. O medo quando amamos e o sofrimento quando perdemos o amor, ou não o alcançamos.

Aquele que se furta ao amor, à experiência do amor e não à ideia do amor, furta-se a si mesmo. Ainda que, aos olhos dos outros e aos olhos de si mesmo possa parecer maior do que todos os outros.

Precisamente, excluir-se do medo e do sofrimento máximos, experiência de vulnerabilidade por excelência do humano, porque impossível de controlar, e por conseguinte experiência máxima do pleno sentido da vida, sempre exposta à possibilidade de uma mudança radical, é decidir-se por ser menos do que se é ou menos do que se pode ser. Menos, não porque o amor é grande; menos, porque o amor nos torna à verdadeira medida da vida, expondo a nossa real vulnerabilidade, isto é, no amor o humano torna-se consciente do seu ser humano, como em nenhuma outra experiência.

Falo, evidentemente, do amor fora da esfera do religioso. Do amor preferencial, como discrimina Kierkegaard. E este é um dos problemas com que os amantes, o amor, se debate nos dias que somos. Como ter fé (que afasta o medo para longe) no nosso amor preferencial, num mundo em que à menor dificuldade, à menor contrariedade deixamos aquele que amamos? De outro modo: como ter fé no amor, num mundo onde tanto se ama à velocidade do corpo? Num mundo onde também se ama somente na excelência do conforto e das não contrariedades?

Ser humano sem a experiência do amor é possível apenas se vivermos sem desejo de humanos, sem desejo de um corpo humano, como o viveu e muito bem Kierkegaard. Mas caso não sejamos humanos como ele, só pelo amor com outro, só na permanente possibilidade da perda nos tornaremos humanos.

Ser-se Fernando Pessoa ou Ludwig Beethoven não é garante de ser humano, embora sem dúvida eles e tantos outros sejam expoentes máximos nas suas artes. No fundo, o que aqui se mostra é que ser humano não é ter nascido homem ou mulher e ser excelente, mas ter nascido homem ou mulher e descer ao abismo da consciência diária da possibilidade de perda do outro a quem entregámos a nossa órbita.

Foge-se do amor, porque há resquícios de não se ser (ou querer ser) mortal. E, pergunto eu, por fim, a vós, haverá modo mais fácil de inventar uma fuga à mortalidade do que a vivência contínua de ninguém ter poder sobre nós?

Valentine’s day: O que comprar para eles

30/05/2015

Sempre gostei muito de dar e receber presentes – mais ainda dar do que receber, pra falar bem a verdade. E conforme o dia 12 de junho se aproxima, sempre encontro dezenas de amigas desesperadas em busca de um presente adequado para a ocasião. Por isso resolvi trazer algumas opções de roupas (que cabem em todos os orçamentos) e que estão, literalmente, à uma clique de distância – são todas da loja online masculina J.Lisbon, que já falei neste post. Lá vai meu top 5:

Ps: Para conferir o post na íntegra, é só clicar aqui.

Parka London

Parka: R$ 730
Short: R$ 370

Não sei vocês, mas acho muito difícil encontrar esse tipo de agasalho aqui do Brasil – com boa qualidade, é claro. Essa parka (disponível em amarelo e azul) é impermeável e uma das mais bonitas que já vi. Fora o short, que se você acessar o link vai ver os pequenos detalhes, em amarelo, de palmeiras.

JLISBON 02

Camisa: R$ 420
Tênis: R$ 400

Como o clima por aqui, na maior parte do País, é quente o ano inteiro, as camisas de manga curta para homens são a melhor opção. E olhem de perto a estampa, que é toda de abacaxis em tons de verde. É linda e super tropical. Também adorei esse modelo de tênis, confeccionado em camurça perfurada e sola de borracha. Tem várias opções de cores, mas o laranja é, definitivamente, o meu favorito.

JLISBON 003

Camisa: R$ 400
Bermuda: R$ 470

Na minha opinião, não existe nada mais bonito do que ver um homem vestindo cor de rosa. E essa camisa, uma das minhas peças favoritas do site, é daquelas que se sente o conforto só de olhar. Adorei a combinação com essa bermuda (peça que todo homem deve ou deveria ter no guarda roupa).

JLISBON 004

Suéter: R$ 560

Sou suspeita, já que acho qualquer homem lindo de suéter, mas esse realmente é um dos mais bonitos que já vi. Também está disponível nas cores azul e vinho, mas nenhuma delas consegue superar esse tom areia. Lindo demais.

JLISBON 005

Suéter: R$ 255

Esse suéter já é um modelo mais fresco, ideal para meia estação. É 100% algodão e parece extremamente confortável de vestir. Adorei a composição com outra camisa por baixo. Ótimo para presentear (já que qualquer homem facilmente gostaria) e fácil de usar. Também disponível em listas azuis.

Para mais opções de looks, basta acessar o site.

O melhor livro: “Exercícios de Humano”

28/05/2015

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Great news! Na segunda-feira, dia 25 de maio, ocorreu mais uma edição do evento de premiação da Sociedade Portuguesa de Autores. Para quem não sabe, a SPA foi fundada em 1925, em Lisboa, e representa os autores portugueses de todas as disciplinas literárias e artísticas do país. Fiquei muito feliz em saber que meu amigo, o querido Paulo José Miranda, venceu na categoria “Melhor Livro de Poesia“, com a obra “Exercícios de Humano” – que ganha, na semana que vem, uma segunda edição.

 Conheci o Paulo quando fiz essa matéria no Brasil Post e desde então leio tudo o que ele escreve – inclusive já tenho uma lista enorme de livros para comprar quando estiver em Lisboa novamente. Ele é, sem dúvida alguma, um dos maiores escritores portugueses que já conheci. Algumas de suas cartas, do livro “Todas as Cartas de Amor“, se assemelham muito às poesias de Fernando Pessoa. Ele é de uma sensibilidade absurda. Por isso publico hoje uma das poesias do livro vencedor. Uma forma simples, mas sincera, de parabenizá-lo por mais essa conquista ;-)

Exercício oito

há uma lâmina
fina como o último electrão de um átomo
abrindo os nossos lábios
numa ardência de mil e uma urtigas
é o beijo da mulher bela

há uma lâmina
fina longa rápida como a guilhotina
a fazer com que se separe a cabeça do corpo
repetidamente a cada segundo
é o tempo sem o beijo da mulher bela

há uma lâmina
fina fina fina
como um cancro rasgando a vida
célula a célula
saber que nunca mais o beijo da mulher bela

há uma lâmina
dura e fria
para cada um dos nossos dias
desde esse beijo até à hora da libertação
é aquilo a que se chama vida

Love Letter: O medo de te esquecer

25/05/2015

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Meu amor,

Hoje escureceu tão cedo que até te procurei por debaixo das cobertas.
Queria tanto entrelaçar as minhas mãos às tuas…

Mas não te achei.

E senti medo.
Medo por não estares aqui. Medo do que não posso ver. Prever.

Medo porque é nas horas que as estrelas acendem no céu, que amanhece a minha solidão.

E já fazia tempo que eu não sentia isso. Esse vazio completo.
Uma falta de algo que ainda não sei exatamente o que é.

E sinto medo.
Medo por não sentir nada. Medo do que ainda está por vir.

E por isso, todos as noites, tento te dizer adeus.
Mas parece que nada do que eu faça consegue te levar pra longe.

Suas lembranças voltam, como a maré.
Com mais força. Com mais sentimento.

E é nessas horas que eu sinto medo.

Medo porque quero, de verdade, te esquecer.
Medo porque não quero, nunca, que me esqueças.

Sua

Bloggers de moda: vida real VS fantasia

24/05/2015

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Há alguns meses saiu uma pesquisa, divulgada pela empresa de pesquisa e mercado ComScore, que mostra o Brasil como um dos países mais entusiásticos por internet e redes sociais do mundo. O ranking mostrava os blogs brasileiros em segundo lugar na lista mundial, perdendo apenas para o Japão. Além disso, o levantamento apontava que os internautas brasileiros lideram o engajamento na web, com sete horas a mais (!!) de navegação do que a média mundial. Também pudera, já que hoje existem cerca de 2,5 milhões de blogs no país – e, por dia, são postados mais de 300 mil conteúdos novos.

Mas até aí tudo bem. Todos nós sabemos que desde que a informação foi democratizada pela internet, o número de pessoas querendo dar a sua opinião sobre tudo e qualquer coisa só foi aumentando. Eu, por exemplo, quando criei o blog há quatro anos, era totalmente a favor dessa nova forma de comunicação e sempre acreditei que havia espaço para todos.

E sim, continuo acreditando que eles vieram para dar um banho de água fria na forma como se fazia jornalismo no Brasil. Esse boom realmente fez com que as revistas se reinventassem e abrissem espaço para novas ideias. Por isso, sempre fui fascinada por esse universo, onde pude conhecer outras pessoas online – ler suas histórias, seus dramas, opiniões e por aí vai. Uma forma de compartilhar a vida com pessoas que, até então, você não fazia ideia que existiam.

E então surgiram as bloggers de moda. Que de início vieram com a premissa de nos inspirar com seus looks, dicas e informações “reais”. Mas hoje elas deixaram de ser um reflexo da vida real para se tornarem um negócio, uma ilusão. Fico impressionada que revistas femininas disponibilizam três ou quatro páginas editoriais para mostrar onde e como comprar seguidores para o seu Instagram, Facebook, etc. Dicas para ser alguém que você não é. E me choca ver que as pessoas realmente estão buscando isso – já perdi a conta de quantas pessoas vejo com apps de followers & likes, quantas pessoas passam horas curtindo fotos aleatórias em troca de outras curtidas aleatórias. Gente que não acrescenta em nada, curtidas que não acrescentam em nada. E por que isso?

Em tempos de hipernarcisismo, as pessoas parecem querer construir uma imagem de vida completamente fora dos padrões da realidade. É difícil conseguir criar uma identificação com pessoas que deixaram de ser “gente como a gente” para serem um ideal inatingível de vida. Pessoas que montam a mesa de café da manhã em que comem, que usam roupas escolhidas por outros, que postam dezenas de selfies por dias sempre com uma efusividade que, sinceramente, me irrita.

E o que me preocupa, mesmo, é pensar como uma nova geração de meninas (altamente influenciáveis) não devem se sentir frustradas por quererem essa realidade de fantasia. Onde as mulheres reais se tornaram uma mentira, e onde um Instagram lhe dita o que fazer, como ser, o que vestir, onde ir e como se comportar. Mais ou menos como o caso da menina de nove anos, que causou polêmica a criar um Instagram fitness (matérias aqui e aqui).

Como diz meu amigo Paulo José Miranda, “o mundo só pode estar enlouquecendo de vez“.